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A não, já é segunda feira...


A não, já é segunda feira...

 

A segunda feira é um dia, em geral, de retorno ao trabalho, de rever todos os afazeres (e resolvê-los), de voltar à correria, de enfrentar a realidade que nos cerca e que, de certa forma, não conseguimos controlar ao nosso modo.

 

Hoje vivemos um momento de valores muito peculiares, para não classificarmos como esdrúxulos. Os valores são calculados em grau de sofrimento e não de gozo de vida. Se uma pessoa que tem um trabalho que paga o justamente, que tem a liberdade de desligar seu celular nos finais de semana e que tem outros assuntos além do trabalho em seus bate papos, em geral, são pessoas consideradas sem “valor” já que não são requisitadas a todo o momento e muito menos possuem questões alheias à sua própria vida para se preocupar, em resumo, não precisam sofrer com coisas externas.

 

Por outro lado, se você é uma pessoa que é “escrava” da empresa em que trabalha, que não tem direito a desligar o celular em momento algum “porque o chefe pode te ligar”, neste caso então você é uma pessoa de valor, pois é tão requisitada que não tem nenhuma autonomia sobre sua vida, e melhor que não precisa pensar suas questões internas porque, em meio a tudo isso, não há tempo para si (“Deus o livre ir assistir a um filme em horário que é permitido fazer hora extra”, ou “Deus o livre de tirar um tempo para pensar em si em meio as cobranças realizadas pelos chefes da empresa em que trabalha”), é preciso sofrer para se enxergar, é preciso sofrer para ser reconhecido.

 

O odiar, não gostar, ter asco, à segunda feira é uma tentativa de inserção a um coletivo, é uma tentativa de inserção a um movimento “sofrentista”, de negação ao gozar a vida, de negação ao saber quem sou.

 

Se perceber ou não neste movimento coletivo é uma questão individual e de permissões de conhecer os “eus”, de querer mudar ou não, uma questão de parar e refletir sobre o mundo ao seu redor, sobre quem se é e sobre quem se quer ser, é uma oportunidade de buscar um psicólogo e pensar sobre tudo isso à sua visão e não à visão de um coletivo.

 

Resumindo, é uma questão de trabalhar para si e de colher seus próprios frutos, de se permitir ser dono de sua vida e de se permitir gozar dela.

 

Que bom, já é segunda feira!

 

Texto:

Psicóloga Mayara Aniskeivicz Grokoski

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